“Antichamas” é uma série que se articula no tensionamento entre matéria, corpo e memória. Essa investigação explora sobretudo a tensão e a reconfiguração desses corpos escultóricos, que se constituem a partir da sobreposição de elementos orgânicos e sintéticos. O fogo atravessa essa poética como uma imagem persistente, um estado que se instaura sob um cerco de camadas espiralares, onde o gesto contínuo de torção cria e acumula tensão.
No processo de construção dessas esculturas, utilizo uma série de materialidades, entre elas itens pessoais — roupas, lençóis, toalhas, dentre outras peças — que carregam vestígios de uso e memória. Os trabalhos se configuram através de um gesto espiralar que tensiona essas matérias, produzindo um campo de fricção constante. Nesse movimento, o calor emerge do próprio fazer, como um aquecimento gerado pela insistência do gesto.
A fita antichamas vermelha atua como um invólucro plástico, criando uma pele visceral que entra em atrito com partículas suspensas no espaço. São corpos que se deixam afetar, que se contaminam e se impregnam de novas texturas. Essas estruturas permanecem em estado de vigília, sustentadas por forças que comprimem, deslocam e reconfiguram continuamente sua forma.
Placenta de fogo // Linha de algodão, arame e fita isolante // 97 x 16 cm // 2024
Seres em brasa // Algodão cru, arame, fita isolante e cobre // 30 x 62 cm // 2024
Espirais de fuligem // Tecido, fita isolante e cobre // 92 x 8 cm // 2024
Fagulha suspensa // Tecido, fita isolante e arame // 117 x 6 cm // 2024
Resíduos em chamas // Tecido, fita isolante, arame e cobre // 29 x 115 cm // 2024
Monstro em chamas // Tela de polietileno, linha de algodão, fita isolante, spray, arame e cobre // 130 x 46 x 28 cm // 2024